Racismo, igualdade e Esports!

E aí meu povo, tudo bem com vocês?

Sim, eu sei, não muito, certo?

Mundo está completamente diferente de tudo que vimos no passado, desde pandemia a manifestações populares volumosas, política brasileira em chamas, dá para entender o porque hoje perguntar se esta tudo bem é esquisito.

No auge dos meus 45 anos de idade, últimos 15 dedicados a jogar poker profissional e empreender, eu me eduquei a ter algumas políticas pessoais nas tomadas de decisão que eu gostaria de compartilhar com vocês.
Em compartilhando, eu acredito que possa mexer na vida de outras pessoas de verdade, se tiver algo positivo que você identifique nestas minhas provocações, tenho chance de mexer de verdade contigo e você repensar suas decisões por outros prismas.

Algumas coisas importantes que aprendi na minha vida.

Problemas não se resolvem de forma macro, e sim, de forma micro.

A forma mais fácil de você resolver algo na vida é quebrar a dinâmica em pedaços, tranformar o problema grande em diversos problemas pequenos e aí você tem diversas missões mais fáceis ao invés de uma gigante e quase impossível.

As vezes, resolver em sequência pequenos problemas, não faz parecer que o grande vai ser resolvido, mas confia! É a forma mais inteligente de pensar.

RACISMO

Pelo meu ponto de vista, o que aconteceu com o Floyd aqui nos Estados Unidos, foi uma das coisas mais brutais, pela narrativa inteira, que eu vi em toda a minha vida, e que o mundo já presenciou. Explico …
Um policial com o joelho no pescoço de um negro, uma série de celulares ao redor dele e ele completamente ciente disto, o pedido de socorro da vítima, os pedidos de socorro das pessoas vendo a situação, o policial com a mão no bolso meio que tirando onda da situação, e o falecimento do Floyd dentro deste cenário, é algo sem precedentes na minha história de vida.

Sei que historicamente a humanidade nos proporcionou coisas bem piores, mas eu André Akkari, nunca tinha visto esta combinação de cenário como vi desta vez.

Meu irmão é negro, e isto não me qualifica a nada nem me desqualifica, apenas para dividir que tive muitas experiências muito próximas de racismo sendo vivida durante a minha história de vida, portanto este tema foi sempre muito próximo para mim e muito emocional ao mesmo tempo.

Ver este cenário todo que narrei no parágrafo ácima me revoltou demais, machucou mesmo, mas e aí?

Tenho duas opções, chorar, reclamar, ficar puto, achar que o mundo é uma bosta e a humanidade faliu, olhar para todos os quesitos negativos deste novo cenário pós Floyd, ou, quebar o problema em pedaçoes menores, e começar a resolver no que está no meu alcance.

Como jogador de poker eu sempre fiz isto. Então meu primeiro sentimento é. Ok, esquece o caso do Floyd, esquece o caso das manifestações nas ruas, e por que esquece?

Esquece pelo prisma que eu, André, posso propor mudanças com as minhas próprias mãos, o que não significa que eu não vá vibrar, apoiar, promover as manifestações. Mas de fato, eu não vou pegar o avião e ir até Mineapólis, ou NY, ou qualquer outro lugar para gritar em prol de igualdade.

Mas por que você não vai Akkari? Poderia certo?

Sim, claro, eu poderia, mas não vou por uma razão simples. Acredito que as manifestações são fundamentais para a conscientização mundial e vibro com elas, mas uma outra parte da população precisa estar na linha de frente de mudanças pontuais, e prefiro ficar neste outro pelotão.

Vamos andar …

Pergunta que centraliza todo a idéia do artigo:

Onde estão os negros no ESPORTS?

Seja inteligente, não coloque sua mente no simples, pensem profundamente apenas neste problema. Quando comparado ao racismo de forma geral, esta pergunta é minúscula correto?

Mas é ela que importa para mim, ela é o retrato de quebrar um problema em pedaços e resolver o que está de fato ao seu alcance.

Onde estão os negros no ESPORTS? Pense!

Equipes do CBLOL? Equipes de CSGO top 20 do ranking HLTV? Franquia de COD? Você vai encontrar casos ultra raros de qualquer negro em algumas destas equipes. Por que?

Impressionante como você convive com o racismo declarado na sua cara o tempo todo e simplesmente não percebe algumas coisas óbvias.

Ponto importante. Um coach da Furia, ao perceber que precisa contratar um novo jogador, não olha todas as opções, e de repente ve um negro e diz “Não, ele joga pra caralho, ele é tudo que precisamos, mas não vamos contratar porque ele é negro”, chance zero de isto acontecer, mas isto não muda o fato da pergunta principal. Por que negros não estão?

Condições sociais? Hummm, mentira! Mentira por que obviamente nas classes sociais mais baixas do Brasil e do mundo, temos mais negros, isto é estatística, mas também tem muitas pessoas de todas as raças, e mesmo assim, brancos conseguem vencer esta barreira de forma muito mais clara do que negros. A desculpa da classe social/econômica não pode ser para não termos quase NENHUM negro no esports, é exagero estatístico pensar por este prisma.

Quando você muda o jogo dentro do Esports, e vai para o Freefire, você vê que a presença de negros é tímida mas é maior, bem maior que nos outros jogos. E o que difere um do outro?
Ser mobile? Precisar de menos estrutura, celular é mais barato que PC e etc? Sim e não, vou explicar depois.

Preconceito de todas as equipes? Hummm, mentira também. Aquela segregação bruta, como simulei ali ácima, não acredito também. Não acho que um técnico, um dono de org, diga “Este não, esquece, este é negro!”.
Isto acontece e muito no mundo, mas não acho que seja o fator preponderante no mundo do esports. Racismo existe e é óbvio mas não este super declarado assim.
Na Fúria posso garantir 100% que não existe.


Então onde esta o problema?
Na minha opinião em dois conceitos.

PREDISPOSIÇÃO
As orgs criarem de fato condições de promover ativamente a igualdade, trazer propositalmente negros para dentro equiparando a presença da diversidade nas suas estrururas, desde que a qualidade da performance em cada área seja a prioridade, sempre.

Isto promove!

Ter todas as raças como referência de ídolos, aumenta a harmonia no mundo e aumentam as chances de todos brilharem. É uma questão de narrativa de verdade. Se você promove isto, você põe as pessoas para pensar e ver que talvez exista a chance de dar certo para elas individualmente, assim você impulsiona a tomada de decisão de cada jovem.

CRIAR CONFORTO

Você como org, precisa ir lá no centro do problema. Você precisa achar negros que performem como jogadores, como streamers, estes jovens já estão espalhados no Brasil, eles jogam, eles treinam, eles se dedicam, o que falta é eles virem para o cenário macro, tirar as barreiras psicológicas desta aproximação.

Inconscientemente eles acham que tem menos chances por serem negros, que por serem, serão olhados de forma diferente.

Podemos jogar isto nas costas deles “Você que tem q correr atrás, a vida é dura pra todos, negros, brancos, etc, etc” mas não creio que seja o melhor approach, o melhor é, sabendo que o racismo é um mal mundial, nós não podemos confiar que o jovem faça isto, aos seus 15, 16, 17, 18 anos, nós temos que provocar a mudança e criar as zonas de conforto para que os jovens se aproximam das organizações de forma massiva.

Negros sendo massacrados fisicamente e psicologicamente no passado adotaram uma postura, como de fato deveriam, de proteção entre si por comunidade.

De novo vou usar esta carta, meu irmão é negro, eu sei o discurso, o sentimento através dele, não sei de fato porque não sou negro, mas tenho o pensamento perto, dentro de casa. Eles se unem na sua cor, porque sabem o que sofrem quando não são unidos na cultura, no esporte, na sociedade, entretanto, negros são infinitamente mais flexíveis.

Você vê grupos negros que não se encostam com brancos, e você ve grupos brancos que não se encostam com negros, mas quando você vai para a o pensamento de massa, os movimentos culturais, sociais, esportivos de negros são muito mais abertos para a igualdade, e nem sempre é assim com brancos, vide a nossa sociedade. Se um branco entra em uma roda de samba de negão não se sente 1% desconfortável, mas se um negro entrar de smoking em uma ópera, vai insta acontecer o pré julgamento. Isto é FATO!

Esta criação da comunidade e unidade negra é o fato que o planeta mais deveria se orgulhar em diversas áreas, ela trouxe força a pessoas que independente da raça. não possuem se não se juntarem.
O samba, o basquete, o hip hop, o rap, o funk, e tantos outros são movimentos que nascem e perduram de forma potente, porque vem desta unidade.

A Furia não é uma organização comum, e não é por uma simples razão. Não tem pessoas comuns! Para entrar na Furia, dentro da sua área, você precisa ter a tendência em pensar fora da caixa, de verdade.

Quem forma a Furia tem personalidade, tem preocupação social, tem música na história, de competição no DNA, tem evolução como o maior lema.

O que pode ser mais evolutivo no princípio social do que a luta pela igualdade?

Portanto, nós vamos pra cima, nós vamos provocar a predisposição interna e a geração de conforto para negros que queiram ajudar a colocar mais igualdade no cenário do esports e gaming em geral.

Vamos buscar e lapidar jogadores, streamers, desta vez de forma próativa, a correria e vontade que a Furia tem e sempre vai ter. Enquanto não conseguir não sossega. Isto por que sabemos fazer, nós somos bons de brainstorm, de achar idéias criativas e de coloca-las de forma rápida e eficiente em prática.

Existem chances sim de sermos mal sucedidos, mas acho difícil.

E depois que conseguirmos aumentar o número de jogadores, movimentos culturais, musicais, de conteúdos conectados com negros na sociedade para dentro da Furia, teremos vencido o problema do racismo?

Não, óbvio que não, não teremos mexido em 0.0001%, porém, não é este número que importa, e sim, a busca por 100% de fazer tudo o que podemos fazer. E se isto acontecer, teremos vencido nossas próprias barreiras e busca por fazer da nossa vida algo melhor para o futuro do planeta.

Ganhar dinheiro é bom, cravar torneios e campeonatos é bom pra cacete, mas usar de algo que gera tudo isto para mexer com a cabeça das pessoas, influencia-las positivamente, é ainda mais fantástico, faz a vida ser mais gratificante, faz a gente acordar com algo que faz muito mais sentido.

Eu já tive fudido de dinheiro e já estive bem de dinheiro, posso atestar pra vocês. Ter dinheiro sem próposito, é quase a mesma merda que não ter dinheiro. Se você não tem dinheiro, você não vai acreditar em mim, mas espero que você ganhe, para depois você voltar aqui e dar sua opinião.

A Furia é treta, treta pura. Quando se pega com algo não larga. Eu sou assim, os meus sócios são assim, nossos atletas são assim, nossos coaches são esquisitos, são pra frente, são focados de uma forma impressionante, nossos streamers são criativos, trabalhadores pra caralho, profissionais, e nossa equipe com um todo é simplesmente a equipe que transformou a Furia na maior org da América Latina hoje por diversos e incostestáveis prismas. Portanto, se a missão é dada, aqui, a missão é cumprida.

Faça você a mesma coisa! Procure um problema próximo de desigualdade e comece por ele.

Não ache que apenas ficar indignado vá ajudar em algo, porque não vai.

Promova a harmonia das raças na sua empresa, dos genêros, contrate pensando no equilíbrio se caso a qualificação for incontestável, navegue por outras águas que sua mente não esta acostuamada e principalmente, faça o que o poker mais nos ensina, VEJA A VIDA DA CABEÇA DA OUTRA PESSOA. Sempre foque na meritocracia, sem qualidade não adianta, mas a desigualdade nasce do fato de que mesmo tendo qualidade, pessoas de raças, credos, e genêro diferentes não tem as mesmas oportunidades.

Usem também a ferramenta da REFERÊNCIA, pesquisem, estudem a vida de pessoas que fizeram coisas fantásticas como o Mandela, veja o que estava na mente destes seres.

Quando você faz isto, você vê problemas que antes não via e enxerga soluções que antes você não conseguia pensar.

Grande abraço,
André Akkari

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