Como resolver o problema do Rafael?

E aí pessoal, impressionante a audiência que deu o último post aqui no blog em relação ao problema do meu amigo fictício Rafael.

Hoje vou contar como surgiu este problema e o porque criei este post aqui no blog gerando este tumulto todo.

No final de 2014, eu e o Bueno fomos surpreendidos por um contato de um grande amigo, Musa, um dos maiores publicitários do Brasil, recheado de prêmios e super respeitado, diretor de uma das maiores agências do Brasil, a Ogilvy.

Neste bate papo que tivemos no seu escritório, ele levantou para nós uma indignação que mal sabia ele que iria mudar a forma com que nós enxergássemos o caminho da escola SURTO que criamos aqui na Vila Mariana. Seu problema basicamente era a dificuldade que ele tinha de encontrar pessoas geniais, pessoas que realmente apresentassem alguma coisa que o surpreendesse todos os dias. Na Ogilvy ele é forrado de pessoas com este perfil, mas a dificuldade em acha-los e incorporar mais gente ao seu time era algo que fugia do que deveria ser uma dificuldade normal e virava uma missão quase impossível.

Ele sugeriu naquela data que criássemos uma parceria entre a SURTO e a OGILVY que viesse como uma possível solução para este problema, COMO ACHAR PESSOAS ESPECIAIS PARA O MERCADO DE TRABALHO?

Bom, daquele dia em diante ele tirou o meu sono e o do Bueno.

No poker lidamos com muita gente e nos vangloriamos de estudar todos os dias o funcionamento da mente humana, como ela cria solução, como ela resolve problemas, como ela gera felicidade, como ela se comporta nas diferentes situações que se apresentam no dia a dia. Sendo assim, tínhamos uma oportunidade de ouro nas mãos.

A maior agência de publicidade do Brasil, uma das maiores se não o maior grupo do mundo, tinha dado o aval para nós da SURTO  captarmos pessoas geniais através de processos não ortodoxos que nos fizesse movimentar a área que mais nos dá prazer nesta vida, lidar com o ser humano e suas fraquezas e genialidades.

A partir daí começou um trabalho árduo do Leonardo Bueno de entender como criar um curso que fosse voltado a fazer as pessoas encararem problemas de uma forma diferente, criativa e com isso, dentro deste curso, detectarmos se algum aluno poderia ser submetido a uma avaliação direta do homem forte da Ogilvy e que o gol maior seria entregarmos alguém realmente especial.

Discussões e discussões se estenderam entre eu e o Bueno e a galera da Surto, e depois de meses e mais meses enfim o curso PENSANDO COM A CABEÇA DOS OUTROS estava pronto!

Criamos este produto através de alguns princípios muito legais e diferentes dos normais que hoje em dia são muito utilizados em start-ups de tecnologia, empresas como o Facebook ou outras gigantes do mercado americano veem hoje trazendo conceitos que empresas mais tradicionais não desfrutavam. Pro-atividade, criatividade e análise de risco, hoje são valores muito mais importantes para empresas do futuro do que disciplina, rigidez e conhecimento técnico. Não digo que eles não são importantes, digo apenas que nasceram formas novas de avaliar pessoas para o mercado de trabalho e este é o maior desafio que hoje temos aqui na SURTO.

Dentro das centenas de discussões, uma coisa me veio a mente na hora de formatar esta solução para a Ogilvy e aí resolvi dividir com vocês sem vocês saberem no post anterior, mas agora vou esclarecer neste.

Vocês já repararam o quão excitante e o quão polêmico para todo ser humano são os problemas dos outros? Pensa nisto!

Lembra da última vez que você convidou pessoas para irem na sua casa ou marcou uma pizza? Pensa o que circulou na roda de vocês durante 80% do tempo, PROBLEMA DOS OUTROS!

O ser humano se entusiasma demais em enigmas, em buscar soluções para o problema alheio e assim se especializa em julga-lo. A grande graça do amigo é expor a sua opinião sobre alguma fofoca ou problema mas mais do que isto vencer a discussão achando um conceito lógico que justifique sua posição.

Então se você concorda comigo, guarda isto em uma gaveta! Pronto!

Agora vamos a outra conclusão que chegamos neste processo. Você já pensou, o quão pouco tempo as pessoas chegam em uma conclusão sobre como resolver um problema. o quão raso é o pensamento derivado das suas crenças e experiências anteriores que demonstram de uma forma simplória algo que lhe parece a melhor solução do mundo para aquele problema?

A pessoa não para e pensa, não cria opções e tenta entender o pensamento de todos os envolvidos naquele cenário, ele simplesmente fala “Não família é tudo para mim e eu voltaria para os meus filhos!” . Isto acontece infinitamente mais rotineiramente quando você coloca problemas que envolvem pontos de segurança máxima como filhos, honestidade, dinheiro e etc.

A maior onda que vem sendo surfada no mundo todo hoje é a MENTE HUMANA. Saber como ela funciona e desvendar seus padrões de comportamento é o futuro. Não é toa que hoje jogos fazem tanto sucesso como o poker, salas de resoluções de problemas como a ESCAPE60, que fecham seres humanos em um enigma e você tem um tempo definido para conseguir resolver, estão com suas listas de espera sem nenhuma vaga, tudo o que for voltado a procurar soluções e funcionamento da mente humana e seu aprimoramento fazem parte da nova forma de ver o mundo de hoje em diante e aqui ficamos excitados demais com estas linhas de pensamento.

Hoje se me fizessem decidir entre contratar uma pessoa através do método de tradicional de entrevistas e dinâmicas, ou colocar ela para jogar uma partida de poker ou dentro de uma sala do ESCAPE60 eu preferia as duas últimas opções.

Trabalhar para uma empresa é sinônimo de achar soluções inovadoras, e seu sucesso depende disto. Responder ao problema do Rafael “EU VOLTARIA PARA OS MEUS FILHOS E QUE SE DANE O RESTO” não é nada criativo nem inovador.

Calma lá! Não estou falando que eu menosprezaria os meus filhos de maneira alguma, mas você deve tirar a preguiça mental e buscar soluções inovadoras. Se você faz isso para um problema exposto em um blog de um jogador de poker você provavelmente vai fazer nas decisões de vida do seu dia a dia com o seu trabalho, sua família e seus amigos e de uma coisa você pode certeza, seu gráfico de felicidade de médio e longo prazo vai ser ascendente.

Como então eu resolveria o problema do Rafael?

Primeiro pensa, mas pensa de verdade. Duas dicas importantes, use o tempo, pare, respire e depois você começa a elaborar a solução. Segunda, o poker nos ensina que você não precisa agir para imaginar que resultado aquela ação vai gerar, portanto, crie cenários, e depois veja como você se relaciona com aqueles cenários, se você vai ficar mais feliz ou mais triste de acordo com cada cenário.

Levante as variáveis de cada problema que você esta envolvido, neste caso do Rafael, ponto importantes, Rafael e sua felicidade amorosa, sexual e etc, esposa e seu tempo de casamento, filhos e o amor incondicional, Carla e sua paixão. Fora estes fatores emocionais você ainda tem que listar, emprego e promoção e possibilidade de sociedade em uma outra cidade. Diferenças de futuro entre morar em São Paulo e Brasil e tudo o que se relaciona a isto, amigos, familiares, paixões e hobbies locais e o que você faria estando no Hawaii que comprometeria tudo isto.

Depois que você levantar as variáveis coloque no papel os objetivo que mais te excitam na resolução deste problema. Qual seria a solução perfeita, mágica? Ficar com as duas? Ficar com a Carla e com os filhos na mesma casa? Ficar com a esposa e ter a Carla de amante? Qual seria o cenário dos sonhos.

Terceiro, pense o que as pessoas envolvidas no processo pensam. O que passa hoje pela cabeça dos seus filhos, e o que passa hoje pela cabeça da Carla, e da sua esposa? O que eles pensam de você? Eles querem você feliz? Eles querem você infeliz, mas por perto? Eles tem sensação de dependência em relação a você? Tudo tem que ser cogitado por isso que você precisa de tempo para tudo isto e estratégia, mesmo que seja um problema de ordem amorosa e familiar a estratégia é a mãe da felicidade na resolução de problemas.

Eu no lugar do Rafael faria da seguinte forma;

O Rafael foi para o Hawaii, FATO, ninguém muda isto. Não importa se a mulher ficou brava, se ela queria ir junto, x, y ou z, o que importa é que ele foi surfar no Hawaii com um amigo no seu momento de férias e isto o deixa feliz. Ele conheceu a Carla, FATO, isto ninguém pode mudar, não importa se ele foi cachorro ou não, se ele foi infiel ou não, o que importa é que ele a conheceu e se apaixonou por ela, não digo “não importa” diante da moral e da ética, digo diante dos fatos. Para ter sucesso na solução deste problema a primeira coisa que o Rafael, na minha opinião vai ter que fazer, é aceitar o fato que CADA ESCOLHA É UMA RENÚNCIA, ou seja, escolher algo é ficar sem um outro algo e dentro deste cenário ser feliz, certo?

Se apaixonar por uma outra mulher na minha opinião mostra que talvez o Rafael até gostasse da sua esposa mas não muuuuito. Quando você gosta muito de alguém, ama alguém , os outs para você se apaixonar por uma terceira pessoas não muito poucos, quase que inexistentes, em sendo assim, de novo, na minha opinião, voltar para a sua esposa é a pior decisão que ele pode tomar para a sua felicidade de médio e longo prazo. Se alguém tivesse falado que era uma paixão de verão tudo bem, mas isto não foi citado, o que citei é que ele estava apaixonado pela Carla e isto muda tudo.

Outro fato para mim é, ficar longe fisicamente dos meus filhos é algo inaceitável, não existe mulher que substituiria o amor que eu sinto pelos filhos o que acredito que o Rafael também sinta, portanto, nos encontramos em apenas duas saídas, Rafael mora no Hawaii e leva seus filhos, ou Rafael mora em São Paulo com seus filhos. Levar seus filhos para o Hawaii e ficar com a Carla parece uma solução irada, quem não queria, mas aí você vem a prejudicar quem você mais ama, seus filhos, eles não seriam felizes longe da mãe. Portanto, chegamos a conclusão que por ter filhos, e por ter opção, o Rafael tem que ficar em São Paulo onde tem segurança profissional E seus filhos.

Agora se o Rafael esta apaixonado pela Carla, que não tem filhos, e a Carla esta apaixonada pelo Rafael que tem, chegamos em um momento crucial, se inteligente, a Carla vai chegar a conclusão que quem tem que abandonar o Hawaii é ela  e ir para São Paulo com o Rafael. Ele mantém um emprego top, fica com a mulher que ama, se separa da mulher que não ama e fica ao lado dos seus filhos.Sem contar que pode viajar para o Hawaii todos os anos a hora que bem entender. Ahhh mas que queria ficar todos os dias com meus filhos sem se apaixonar por outra mulher, ok, entendo, mas aí vai ler uma outra crônica porque nesta o Rafael se apaixonou, fazer o que.

Se caso com o tempo ele perceber que fez merda, é muito melhor ele estar em São Paulo do que no Hawaii, e se separar é muito melhor do que ficar para o resto da vida longe da mulher que você ama vivendo com o medo de você ter decidido algo.

Portanto, voltemos ao lema que sempre nos ajudará a resolver grandes problemas na vida, CADA ESCOLHA É UMA RENÚNCIA e principalmente, não devemos ser solucionadores de problemas e sim criadores de soluções, apenas a mudança de posicionamento como este já resolve boa parte dos seus pepinos nesta vida.

Ficar com a Carla em São Paulo, com meu emprego, promovido, perto dos meus filhos e viajar o mundo todo para surfar tentando manter o melhor relacionamento possível com a minha ex esposa seria para mim a melhor dos cenários possíveis. Caso isto se desenrolasse para qualquer outra possibilidade reavaliaríamos e começaríamos o processo inteiro de novo. Longe de pensar que esta seria a solução certa mas é a minha forma de tentar achar soluções que eu queria dividir com vocês.

Este enigma do Rafael é fictício, não existe nenhum Rafael, nem nenhuma Carla, nem casos parecidos com este que eu conheça, criei apenas para promover o debate e ver como as pessoas iniciariam seus processos de resoluções de problemas.
A minha solução também não é para ser perfeita, ela é apenas a minha solução, eu demonstrando como eu tento resolver os meus problemas. Não significa que não existam formas melhores ou mais otimizadas, entretanto, minha maior intenção com estes dois posts no blog é promover o seu pensamento em relação a como você resolve os seus problemas, a forma, o processo. Este exercício mental eu acho que é eficaz demais para a nossa vida em 2015 e para a forma com que o mercado de trabalho esta agindo e vai agir nas próximas décadas.

Pensar é algo subestimado, a mente é um máquina subestimada, e já que assim, valorizar estas coisas é algo que vai gerar diferenciais que podem fazer total diferença para o seu sucesso e para a sua felicidade.

Com isso, nasce o curso mais tesão da SURTO, curso PENSANDO COM A CABEÇA DOS OUTROS. Nossa primeira turma será nos dias 15 e 17 de setembro, dois dias de curso, eu também vou participar como aluno, vai ser irado demais e resumidamente vamos debater e ver caminhos de como resolver problemas de formas diferentes das convencionais impulsionando a nossa mente.

Este curso vai ser uma forma de levantar talentos para um processo de seleção na maior agências de publicidade do Brasil, a Ogilvy, portanto, como estamos ao lado da ESPM, Escola Superior de Propaganda e Marketing e da Belas Artes, acho que para futuros publicitários a coisa se encaixa perfeitamente, mas não só para eles. Eu que não tenho interesse em trabalhar na agência porque tenho minha carreira consolidada e já estou inscrito. Se você tiver interesse entre em contato através do comercial@sistemasurto.com.br e junte-se a esta sala de loucos que vamos montar kkkk …

Quanto ao vencedor da solução do problema do Rafael, a agência Pipah vai anunciar em breve no meu Facebook.com/aakkaripoker e entregaremos o moleton do Akkari Team na sua casa.

Vou provocar soluções de problemas para exercitarmos a mente com mais frequência aqui no blog, isto é jogar poker, resolver enigmas, achar soluções, espero que isto excite vocês como me excita, em sendo assim estaremos no caminho certo para o nosso sucesso.

Grande abraço,

André Akkari

25 comentários sobre “Como resolver o problema do Rafael?

  1. Belo post!

    Einstein disse uma frase que resume tudo isso. “Se eu tivesse 01 hora para resolver um problema, gastaria 95% do tempo pensando na pergunta correta a ser feita, e 5% resposta””

    As pessoas acabam focando em coisas alheias e não se concentram no que deveriam.

    Me programarei para fazer esse curso.

    Abs.

  2. Show André. Perdi um bom tempo refletindo sobre a problematica, foi um ótimo exercício. Espero que tenha me desempenhado bem e consiga shipar esse moletom kkkkk. Parabéns pela iniciativa, nota 10! Grande abraço!

  3. “Um grande amigo meu, casado, com três filhos, um menino de 4 anos, uma menina de 8 anos e uma de 17 anos, com uma mulher super maravilhosa, parceira, bonita de 41 anos, viajou em junho para o Hawaii sozinho.”

    Uma mulher maravilhosa, parceira e bonita…foram palavras suas aakkari, metade da sua vida foi com ela e ela ainda continua maravilhosa, parceira e bonita e você abandona ela, que porra de solução é essa?

    • O fato de uma mulher ser maravilhosa, parceira e bonita não significa em absoluto que você ainda a ame. As qualidades de uma pessoa não são fatores essenciais para a manutenção de um sentimento. Existem fatores tanto internos quanto externos que podem fazer, em uma determinada situação ou momento, estas qualidades da pessoa serem “irrelevantes”. A “Carla” da história era mais paceira ainda, mais bonita, mais nova, enfim, em quase tudo mais maravilhosa do que a mulher original. Isso, aos olhos do sujeito da problema. Se formos “pesar” qualidades, a suposta Carla ganharia.

      Enfim, o fato de uma pessoa ser “super tudo” não é uma garantia incondicional de amor para o resto da vida. Apenas é uma garantia que tendo cabeça, resignação e coragem, ela refará sua vida num espaço muito curto de tempo, porque para pessoas assim não faltarão companhias. Melhor um novo amor por inteiro do que um amor já conhecido dividido.

      E o Akkari, assim como o resto dos colaboradores, não apresentou “a” solução, apenas uma proposição de resolução. Na vida, nunca existirá uma resposta 100% correta, porque cada um responderá dentro daquilo que é o seu “eu” individual que, óbvio, é 100% diferente daquele de qualquer outra pessoa. O que existirá, em qualquer tempo, em qualquer lugar, é a sua verdade, a sua solução. Apesar de paradoxal, nem sempre o que é verdade, é real. O real é absoluto. A verdade, relativa, porque é fruto do seu conhecimento, do seu cabedal de experiências. E isso, mesmo que seja 0,0001% já é suficiente para ser a distorção daquilo que é “real”.

  4. Rafael conviveu com sua esposa por anos, tiveram filhos, batalharam juntos pelos seus bens, educação dos filhos e saúde da sua família. Tudo muito lindo, beleza! Mas depois de tudo isso Rafael não tem certeza se ama a mulher. Porém o Rafael do Akkari que conheceu a Carla há algumas semanas está convicto que ela sim é a mulher da vida dele e motivo o suficiente para fazer essa mudança radical na vida. Isso é pensamento a longo prazo??
    Isso é AA vermelho, num flop conectado e preto kkk

  5. a soluçao ideal era ficar com as duas no hawaii e os filhos claro!! 😀 tudo vem da franquesa, a partir do momento que ele tenha coragem e fale exatamente para a mulher e os filhos o que esta se passando fica mais facil para eles aceitarem a situaçao e apartir do momento q a esposa aceite nao existe mais traiçao e com o passar do tempo ele pode avaliar se essa paixao vale apena mesmo ou se começou a esfriar entao decidir…

    • Até podem trabalhar para outros, mas com certeza não para receber salário fixo. Tem que haver um plano de compensações muito bom, flexibilidade de horários, ausência da figura de “chefe”, etc. Pessoas geniais trabalham, no máximo, em equipe. E acredito que 99.99% das empresas estão mais interessadas em extorquir o máximo de genialidade possível pelo mínimo de dinheiro possível.

  6. Muito bom Akkari a cada post seu minha mente da um zoom para um outro ponto de vista é admirável como é fácil admirar-se por uma pessoa como você!!

  7. Acho que a minha resposta ta bem perto do que comentastes como se pensar 🙂

    Postei como comentario no facebook no post do Akkari, as 22:29
    TEXTÃO!

    Não achei esse spot tão complicado, principalmente se analisar mais ou menos como no Poker.

    Fazer a análise em cima de como discutimos situações do jogo, pode parecer forçar um pouco a barra mas talvez facilite visualizar o motivo de não ser um spot close.

    Deve-se estimar o resultado especulado (expected value) de cada escolha, e nesse caso se polarizarmos o leque, as possibilidades ficam bem fáceis de serem vistas. Mas antes disso vamos ver alguns fatos que não são tão eficientes de se analisar em forma de comparação, mas são excelentes para nos apoiar na tomada de decisão.

    A educação no Hawaii está bastante próxima da média nacional em quase todos os quesitos*

    Não sabemos se os filhos se relacionam melhor com o pai ou com a mãe, no entanto é fato** que na maioria das vezes ficarão com a mãe, então caso Rafa se mude para os EUA sem sua esposa, sua relação com os filhos será fortemente abalada.

    1- Hawaii x São Paulo – Estilo de vida

    Temos a informação que o Hawaii é a utopia de Rafael, no entanto não sabemos o que ele acha de SP. Se isolarmos as pessoas que ficaram fascinadas ao visitar Hawaii, e que também surfam, sabemos que existe uma tendência do estilo de vida de SP não agradar tanto o do Rafa (é diferente de se estivéssemos falando de NYC por exemplo, onde possui similaridades com SP, seja no estilo de vida como na intensa movimentação urbana). Claro que existe a possibilidade de SP ser a sua segunda cidade favorita, mas não podemos achar isso o mais provável.

    Ponto para o Hawaii!

    2- Esposa x Carla

    Sabemos que Rafael teve seu primeiro filho aos 22 anos, o que mostra que ele não teve tempo de possuir tantos relacionamentos sérios na vida, o que nos impede por exemplo de imaginar que seus relacionamentos tenham uma tendência de durar pouco. Por outro lado, o fato de um de seus primeiros (quiçá o primeiro) ter dado tão certo é um indicio que seu envolvimento com a Carla tenha tanto potencial de ser curto, principalmente quando vemos que Carla possui 32 anos e provavelmente é madura e sabe bem com o que se mete (se tivesse 22 anos eu sequer teria parado pra escrever isso, pois faria ser totalmente desinteressante, easy fold e gg).

    Existe também um fato importante! Rafael ama muito sua esposa sem dúvida alguma. Seu esforço em subir na vida também mostra o quanto se dedica e ama seus filhotes, desejando sempre o melhor pra eles. Não estamos falando de um relacionamento desgastado onde a mulher não é mais vaidosa e não se dedica ao marido (pois Rafael certamente se dedica), mas sim de uma linda família.

    É preciso ver também que no curto prazo certamente tocar a vida com a Carla seria muito interessante, mas num longo prazo é meio indiscutível que sua esposa lhe permite possuir uma expectativa maior. É mais provável que uma relação que possui mais de 17 anos juntos ou uma relação impulsiva de 1 mês o faça sorrir em 2025?

    Acredito que aqui a Carla perdeu consideravelmente.

    3- Parque x Gerente de TI – Ambiente de trabalho

    Acredito que em termos de trabalho e dor de cabeça, ambos trampos ficam breakeven. Não vejo como organizar a parte tecnológica de um parque desse porte possa ser menos árduo que gerenciar 42 pessoas.

    4- Parque x Gerente de TI – Como uma oportunidade de negócio

    É necessário que Rafael estude muito melhor essa oferta recebida, principalmente quando sabemos que tecnologia é ainda mais caro no momento da implantação, no entanto depois que instalada de forma regular, não se torna algo para abrir mão de 30% de um negócio deste porte. Feito isso, Rafael deve certamente estudar um contrato favorável, caso contrário no longo prazo a oferta pode não se mostrar tão atraente como fora à primeira vista.

    Ainda assim, mesmo numa hipótese onde o melhor contrato com duração mínima de 5 anos seja 15% e os lucros fiquem estagnados, ou seja, uma hipótese onde você esteja trabalhando com a parte mais fraca do seu range, creio que U$12k possua um value quase equivalente aos R$57k no Brasil. Não devemos trabalhar com conversões diretas, pois o poder/equidade do dinheiro (ICM – independent chip model) não é trabalhado utilizando apenas o valor monetário, mas sim quão bem se pode viver com cada quantia em casa lugar. Não vou nem entrar no mérito de uma hipótese mais real/favorável para o emprego no parque, pois aí não vai ter nem graça.

    Aqui a oportunidade melhor está claramente em pegar o trampo no parque.
    5- Vida nos EUA com a Carla x No Brasil com a esposa x Nos EUA com a esposa.

    Estranhou essa terceira possibilidade? Sim, em nenhum momento ela se mostrou impossível, no entanto nunca ficou clara. O dono do parque é seu amigo, e amigo da Carla sim, no entanto ele não está fazendo nenhum gesto de caridade. Ele quer dinheiro, você quer dinheiro (para obter a felicidade, seja como for). Amigos, amigos, negócios à parte. Dificilmente ele negaria fechar o acordo se você explicar a situação e mostrar que decidiu cortar laços com a Carla e trazer sua família, a chance de ele entender e deixar a Carla em um setor diferente do seu, tornando quase impossível se esbarrarem no ambiente de trabalho.
    Quanto as outras duas possibilidades, acho que já foi bastante dissecada nos pontos de 1 a 4 e nas informações extras.

    Desta forma a melhor escolha possível com as informações que se tem é:
    Procurar fechar um acordo documentado com o dono do parque, onde você possua uma garantia de prazo mais longo possível, oferecendo qualidade de vida para você e sua família, e vivendo na cidade dos seus sonhos. Vendo assim parece até utópico, não? Na verdade você teve de abrir mão de algo, que não era pequeno. Mas também não era a maior coisa.

    Certamente viver perto de alguém que você se apaixonou mas optou em abrir mão sem o sentimento desaparecer não é uma tarefa fácil. Mas quem disse que era pra ser? Decidir se sua mulher deve ou não saber de tudo, ou se você deve esconder e seguir em frente é algo que permite diversas possibilidades, and in my humble opinion, it’s not a big deal. Variáveis e conflitos pessoais são inevitáveis, devemos seguir tomando escolhas que pudemos ponderar as consequências.

    Alguém pode apontar “Ah, mas ele estava apaixonado por ela!”, sem dúvida é algo a se considerar, no entanto não é a decisão correta. Pagar onde você sabe que a jogada é -EV apenas por que está SENTINDO que vai ganhar NUNCA vai ser a melhor escolha. Devemos ser racionais em cada escolha tomada, ou tentar chegar perto disso.

    * : http://ballotpedia.org/Public_education_in_Hawaii

    ** : http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2012/12/17/ibge-guarda-compartilhada-de-filhos-dobra-em-2011-mas-ainda-representa-so-54-do-total.htm

  8. Mais uma vez post ótimo para leitura, ótimo para raciocínio mental e principalmente ótimo para discussões e debates (sinceramente acredito que aqui esta o segredo para as soluções mais OTIMIZADAS possíveis, nas discussões e debates interpessoais, pois como ja diz esse novo curso da SURTO, nada melhor do que PENSAR COM A CABEÇA DOS OUTROS)

    Obrigado mais uma vez por compartilhar conosco ideias e pensamentos tão produtivos como este.

  9. Olá André.

    Show seus últimos dois posts.

    Eu devo admitir que não parei para analisar, visto a tremenda falta de tempo. Gostei do texto e expressei a minha experiência de vida, just it!.

    Se tivesse tempo de sobra, a última coisa que faria, seria me debruçar para responder a este questionamento, rs.

    De qualquer forma, adorei os dois textos.

    Um abraço, sucesso, sempre!

    Valdeci
    Assis/SP

  10. Ae mestre agora li a tua resposta. Mas eu sigo com uma frase dita por você. Não se joga pelo resultado, se joga pelo que é certo a se fazer. Se o Rafael tivesse uma noite com a Carla, seria algo ruim, mas aceitável. Somos seres humanos, imperfeitos, podemos cometer erros. Mas como rolou um envolvimento com ela, colocamos o Rafael num range totalmente marginal. O cara foi fraco, não foi homem de verdade. Aí depois de todo o erro feito, acho difícil corrigir e querer achar uma solução pra ele. Seria como você jogar todo um torneio de forma correta e na reta final fazer uma cagada e ficar com um BB na mesa final. Poderíamos pensar em remediar esse problema? Véio, agora é GG e no próximo torneio, tome mais cuidado…Sinceramente, o mais certo seria evitar de cometê-lo. O cara perdeu a chance de surfar suas ondas dos sonhos, voltar pra casa revigorado, encontrar sua esposa, seus filhos, contar como foi legal a viagem e ainda receber uma super promoção no trabalho!!! E esperar pelo ano que vem poder fazer isso novamente.

    Sempre faço a seguinte pergunta: Qual é a melhor forma para se ter uma grande ideia???? É resolvendo um grande problema, por que quando você o resolver, ele se transformará em uma grande ideia. Agora um jogo de palavras muda muita coisa na nossa mente. Eu tenho estudado PNL e me auto intitulo Racionalista. Eu pego todas as frases prontas, tudo o que as pessoas vão repetindo dos pais e dos avós e raciocino sobre elas. Cara, tem muita coisa que dizemos tipo – um exemplo bem imbecil – em terra de cego quem tem um olho é rei, etc etc. Que repetimos como sendo verdades absolutas, postulados, mas que mal raciocinamos sobre.
    Fora isso temos os jogos de palavras e o que elas significam para cada pessoa: Um exemplo é uma pessoa dizer que tem uma ótima intuição e na verdade se tratar apenas de uma pessoa paranoica. Isso não é intuição amigo, isso é paranoia mesmo!!! Quem nunca conheceu alguém assim?
    De dois noivos sendo indagados qual é a coisa mais importante em um casamento, os dois responderem que é o RESPEITO. Mas o respeito para a mulher é ao ouvir o que uma pessoa tem para dizer é olhar em seus olhos e para o homem respeito é quando um fala o outro deve baixar a cabeça.
    Pego então neste exemplo a palavra PROBLEMA. E neste exemplo eu percebo que ele tende mais para remediar um erro do que resolver um problema. Poderíamos chamar o exemplo do Rafael de problema? É claro que podemos! Mas problema para mim seria algo que surgisse na vida do Rafael na qual não foi ele, o próprio Rafael o causador. Problema seria para o Rafael se a esposa dele tivesse conhecido um cara magnífico no Hawai. Pois até certo ponto e que fique claro, até certo ponto não foi ele quem causou isso.

    Mas nesse caso foi ele quem conheceu a Carla, foi ele quem se envolveu com ela e ele não tem um problema nas suas mãos. Ele cometeu um erro. E ai eu pergunto, pessoas criam problemas para depois resolverem? Fica estranho isto não é? Não parece algo natural. Num belo dia estou eu sentado e penso, acho que vou cometer um erro hoje pra ver se este erro transforma-se em um problema pra depois poder resolver…. Fica estranho isso.
    De outro modo, me surgiu um problema que eu não o criei diretamente, agora sim preciso resolver. Ai sim estamos caminhando pra um entendimento.

    Voltando a frase que coloquei no post anterior. Mil vezes fracassar como um herói do que vencer como um covarde. Por que essa frase? O que ela representa? É simples, não importa o resultado, o importante é como você se sente diante dele. Você pode vencer, pode ganhar dinheiro, ganhar medalha, fama, admiração, mas dentro de você estará sempre aquele gostinho amargo, aquele luminoso piscando covarde, covarde, covarde. Uma pessoa honesta, com boa índole, do bem, jamais trocaria a possibilidade de poder deitar a cabeça no travesseiro de consciência tranquila por coisa alguma nesse mundo. Não se compra e nem se vende paz. E voltando ao ERRO do Rafael. De forma bem simples e objetiva. Se ele quiser voltar a ser uma pessoa de bem (notemos que ele na atual conjuntura não é uma pessoa de bem), o primeiro passo é ele perceber que cometeu um erro. Se arrepender, se PERDOAR que é o mais importante. E abrindo mais um diálogo, as pessoas andam tão focadas nos objetivos, na luta diária, no piloto automático, que quando algo sai fora do esperado, elas têm um choque de realidade e muitas vezes acabam se culpando por um fracasso que não foi sua culpa. E se esquecem de perdoarem-se. Portanto se perdoar, e tentar voltar à vida normal como se nada tivesse acontecido. É chato o cara fazer isso, se fazer que nada aconteceu… mas no final das contas ele não matou ninguém, não roubou, ele cometeu um erro e até o dado momento não gerou danos a ninguém. Apenas gerou danos a sua própria consciência. Bom professor era isso. Abraço a todos!!

  11. Paixão e diferente de amor. Paixão é impulsão, insanidade, curto prazo. Amor é cumplicidade, conhecimento, longo prazo. Ele não teve tempo para saber se amava Carla. Acho que isso deveria ter sido levado em conta na sua decisão.
    Obrigado pela resenha.

  12. Belo post Akkari.

    Só algumas considerações não sobre o seu post, mas de alguns comentários.

    Eu ainda fico abismado ao ver como a moralidade cristã ainda afeta o julgamento das pessoas. E isso afeta diretamente o poker em si, já que é um esporte implacável, onde os vencedores tem que tomar decisões cruéis e completamente avessas ao que costumamos aceitar como regras de ética e moral.

    Se o Rafael cometeu um erro, na minha opinião seria um único – esconder da esposa. Fora isso, erro nenhum. É a vida. Partilho da sua opinião, se aconteceu é porque as coisas em casa já não iam tão bem assim. São coisas incompatíveis entre si, ou seja, as coisas estarem 100% bem em família e se envolver com outra pessoa.

    Eu não preciso conhecer uma pessoa por dez anos para saber se a amo. Estou casado há quase 8 anos e amei minha mulher no exato instante em que a vi. Frisando, não disse “conheci”, disse com exatidão “vi”. Eu nem sequer sabia quem era, seu nome, ou sequer troquei duas palavras com ela. Mas eu tive a certeza que se um dia aquela mulher me aceitasse, ela seria a mulher da minha vida. E estamos juntos até hoje desde o dia que ela disse “sim”. E, detalhe, eu estava casado na época em que isso aconteceu. E minha mulher era lindíssima, maravilhosa, sensacional, dez anos mais nova do que eu.

    O mercado de Master Minds e a forma como ele é gerido e recompensado é completamente desconhecido para algumas pessoas. Alguns indivíduos são gênios de criação, mas o sucesso em algo necessariamente implica o fracasso outro. Não necessariamente um gênio criativo é um bom empresário. E muitos preferem ser empregados mesmo, altamente bem pagos, caçados implacavelmente pelo mercado corporativo que é predatório nesse aspecto com os seus “head hunters” à caça de talentos com ofertas tentadoras do tipo “dobro do salário e triplo das mordomias”. Eu já vi ofertas na mesa de R$ 200.000,00 de salário, 13º, 14º, participação nos lucros, dois carros, segurança, motorista, casa, 12 passagens aéreas nacionais, 2 internacionais e a possibilidade de home office. Tá ruim? (sendo sincero, os dados estão alterados, a oferta foi bem maior que essa).

    Voltando ao seu post, melhor dizendo, aos seus posts. Eu já o vi palestrando, eu já o vi dando aulas, eu acompanho o que escreve. Sei que você não abandona as mesas porque é o seu sonho pessoal, sua vida, sua realização. Mas você, ao longo dos anos, tornou-se inegavelmente um talento da comunicação. Mais do que transmitir conhecimento, você faz seus interlocutores raciocinar conhecimento, o que é muito mais difícil de se fazer. E você o faz com muita naturalidade e fluidez. Parabéns por isso.

    Grande abraço

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