Por que o Brasil não anda no ranking mundial de poker?

E aí galera, como foi o Carnaval? Ressaca ainda? Eu aqui aproveitei demais para descansar, não fiz poooorraaa nenhuma e fiquei muito feliz por isto. Estava precisando demais descansar!

Vamos ao assunto do dia, talvez a maioria de vocês não conheça mas a algum tempo atrás foi criado um ranking mundial de jogadores de poker e países, o GPI.

Lembro a alguns anos atrás quando eles começaram a preencher este espaço que faltava no mercado do poker. Iniciaram os trabalhos na Europa, no EPT de Monte Carlo. Montaram um quiosque gigante e ali começaram a colher informação de todos os jogadores, dados completos, pesquisarem sobre os eventos locais em cada país, foi um trabalho intenso.

Eu sinceramente achei que não daria certo, outras tentativas desta mesma missão já haviam ocorrido sem sucesso. O PokerPages, OPR, todos tentaram criar um ranking live bacana mas ninguém venceu, tudo sempre foi muito desorganizado e com critérios muito discutíveis. O poker por ter variáveis complexas como field, buy in, e pesos diferentes diante de diferentes prismas, sempre foi muito contestado seu encaixe em algum ranking perfeito.

Mas de fato estes caras venceram. O GPI hoje é acompanhado por todos no cenário internacional do poker. Virou uma referência grande de desempenho de jogadores e países.
Este final de semana analisando os dois principais rankings dentro do GPI, que são GPI e POY. O primeiro mostra um ranking histórico do site de acordo com o desempenho dos países e jogadores e o segundo mostra a corrida do ano, como esta o desempenho somente dos jogadores no ano de 2015 no caso, pude constatar que no ranking GPI por países o Brasil tem uma participação triste demais.

Eu estou super bem no ranking POY, mas somente porque tive bons resultados no início do ano em Bahamas no PCA, porém, semana a semana agora minha tendência é despencar do ranking, isto pela mesma razão que o Brasil não consegue se manter no alto do GPI.

Não temos amostragem!

Poker é volume, quanto mais você jogar tomando atitudes corretas mas o resultados ficam seguros. Isto é fato, incontestável. Você precisa jogar um volume de torneios todos os dias, meses, ano, que justifique a sua vitória em relação a variância. Quando isto acontece você gráficos com pequenas quedas a todo momento mas um conjunto de “altas” muito maior que os de “baixa” que fazem com que o gráfico fique aquela coisa linda de se ver.

Jogar poker profissional no Brasil quando se trata de “live” é ainda impossível, disputar ranking então nem se fala …

Desde o começo do ano não tivemos nenhum grande evento internacional no Brasil ou na América Latina, não tivemos LAPT, que é o único evento latino americano que conta bons pontos para o ranking. Tivemos um BSOP, que é top, mas apenas uma série de eventos e já estamos entrando no mês de março daqui a pouco. Em contrapartida, nos Estados Unidos eles já tiveram dois eventos da WSOP, dois eventos do WPT, na Europa e Ásia já tiveram mais de 7 eventos cascudos acontecendo em países que ficam a menos de 2 horas de viagem de um para o outro.

Em cada um destes eventos citados, ocorrendo mais de 5 torneios de portes saudáveis para conquistar bons pontos.

Aí, sempre tem uns chatos que vão dizer, “Akkari, meu negócio não é ranking, meu negócio é dinheiro no bolso!”, sim, entendo, mas substitua “pontos” por “dinheiro no bolso”, qualquer ranking esportivo representa exatamente isto.
Subir no ranking GPI é ganhar dinheiro em premiação, você não acumula ponto se não entra ITM, portanto, a grande briga é para se ter volume para se ganhar pontos, ou dinheiro tanto faz.

Ser jogador de poker profissional atualmente exige que você passe boa parte da sua vida dentro de um avião, mas para quem mora nos EUA ou na Europa, os custos e o cansaço desta missão são infinitamente menores.
Estou planejando ir para Malta agora, e somente para compartilhar com vocês a vida de quem quer correr atrás desta carreira “live”. Passagem para Malta U$2.000,00 hotel do evento ou ao redor do evento U$4.700,00, isto fora os buy ins que todos tem. Ao passo que no whatsapp venho conversando com vários amigos da Europa e dos Estados Unidos que estão indo para a mesma missão. Os da Europa estão alugando um apto e dividindo em 6 pessoas, cada um irá gastar 450 euros, as passagens da Alemanha saem por 375 euros e da Espanha por 425 euros. Dos Estados Unidos por 870 euros a passagem e também estão dividindo apartamento. Os grupos estão fechados para dividir os apartamentos porque já haviam organizado desde dezembro.

É claro que com planejamento e bons ajustes você sempre consegue algo mais em conta, mas de qualquer maneira a vida deles é muito mais fácil do que a nossa.

Estes problemas citados ainda são os menores!

Os Estados Unidos entende o poker como profissão de forma plena e também tem um sistema tributário que facilita demais a atividade. Você soma todos os seus ganhos em torneios do ano, você acumula todas as suas notas de despesas relativas a sua atividade, cria um livro caixa amparado pelo seu contador e paga o seu imposto contribuindo com o seu intelectual na sua atividade para o crescimento do seu país.

Na Inglaterra os jogadores de poker profissional não pagam impostos. Em alguns países da Europa o poker como considerado atividade esportiva recebe o incentivo do governo de não pagar imposto para a promoção do esporte mental desde que você prove ser profissional.

Pois é, como sempre, para o Brasileiro tudo é sempre mais difícil mas um dia chegamos lá. Tenho muita fé no nosso país, mesmo diante de tudo o que vemos todos os dias nos jornais, entretanto, devo confessar que sempre bate uma vontade, uma dúvida de se não seria melhor morar nos Estados Unidos ou na Europa para poder praticar sua atividade de forma plena.
Eu tenho outros negócios no Brasil e mesmo nesta condição econômica ainda considero bom o investimento no nosso país, deixando de lado o meu sempre exagerado patriotismo, acho viável de fato o investimento aqui, mas acredito que se hoje minha renda viesse somente do jogo profissional eu teria que repensar minha ida para algum outro lugar diante do cenário colocado neste artigo.

O lado bom desta história é que mesmo com este cenário desfavorável para a prática desta profissão, os brasileiros são tão inteligentes e conectados a este jogo que damos um grande trabalho lá fora, pena que não consigamos participar de todos. Agora no PCA foi a prova disto, o Brasil foi muito bem, mas muito mesmo, e não levamos Nicolau, Ariel Bahia, João Mathias, Kelvin, Foster, Padilha, Yuri, entre outros diversos nomes que compõe a elite do poker brasileiro na atualidade e aposto com vocês que não teremos nenhum evento no mundo em 2015 onde todos os brasileiros entrarão em campo, força máxima, nem mesmo na WSOP eu acho. Por outro lado, nos eventos que citei ao redor do mundo nestas últimas semanas os gringos invadiram com força total.

Se algum de vocês duvida disto, é só você ver a performance dos brasileiros onde podemos ter amostragem. João Mathias é líder do ranking mundial online, quando não foi ele foi o Yuri, quando não foi o Yuri foi o Pessagno, pois é …

Aos poucos vamos buscando o nosso caminho e continuando as transformações do poker brasileiro, problema é saber que elas virão conectadas com as transformações do próprio Brasil enquanto nação e esta o buraco é mais embaixo.

Grande abraço galera,

André Akkari

7 comentários sobre “Por que o Brasil não anda no ranking mundial de poker?

  1. Boa tarde Akkari,

    Muito interessante, muito ilustrativo e muito inteligente o texto. Eu tenho uma opinião formada sobre este assunto. Infelizmente, os clubes de São Paulo e de outras praças renderam-se ao mercantilismo em detrimento do lado técnico do poker. Até o ano passado, tínhamos 100K, 200K, 50K, 250K garantidos em vários clubes da capital. Havia até competição entre eles, com torneios realizados nas mesmas datas. Isso era ruim, porque privava o bom jogador de competir em vários torneios simultaneamente. Agora, em 2015, a coisa piorou muito, porque alguém descobriu que fazer torneios caça-niqueis de 1 dia é altamente lucrativo para a casa. Ao invés de 1, você faz 3 a 5 torneios por semana. Só que o nível técnico vai para o ralo junto. Afinal, são torneios de 15 minutos de blinds, com 1.900 rebuys até o 6º nível. Muitos ainda com direito a add-on para coroar a feira. E o esporte perde com isso. O próprio BSOP não manteve o 500K Gtd que foi um sucesso absoluto de inscrições e arrecadação.

    A solução? Antes de tudo, um calendário unificado e o cessar das brigas infantis por “pontos territoriais”. Nós temos 1 mega-evento chamado BSOP Millions. A partir daí, minha opinião, deveríamos ter 2 etapas de BSOP/LAPT ou BSOP/SAPT (South America Poker Tour) e mais 6 etapas de BSOP. São 9 mega eventos no ano. Os clubes deveriam ser obrigados pela CBTH a realizarem pelo menos 1 torneio acima de 100K por mês, com estrutura de blinds acima de 40 minutos. O H2 já faz isso com o CPH e, felizmente, teremos um Poker Leve semana que vem, depois de um longo e tenebroso inverno. Se torneios de mais de um dia de duração fossem tão ruinosos assim, o BSOP e o CPH não seriam o sucesso que são.

    O brasileiro, muitas vezes, pensa de forma egoísta e pequena. Las Vegas tem mais de 100 torneios por dia e, nem por isso, falta público para alguns lugares. A demanda aqui existe e cresce exponencialmente a cada dia. Falta é oferta. E algumas vezes encavalam-se as ofertas por pura briga de egos. E isso é ruim para o esporte, é ruim para os jogadores, é ruim para os próprios clubes a médio e longo prazo.

    Eu acredito, sinceramente, que está na hora de dar um breque no mercantilismo exacerbado e pensarmos um pouco mais na questão esportiva. Dinheiro é bom. Aliás, dinheiro é ótimo. Mas quanto mais jogadores top players nós tivermos, mais adeptos, mais clubes, mais visibilidade, mais marketing, mais dinheiro nós teremos. A atividade predatória e puramente monetária tem consequências. Esta do texto é uma delas. Nós não favorecemos, não incentivamos, não planejamos o desenvolvimento dos nossos jogadores.

    São Paulo tem alguns clubes top. Cada um poderia prover um torneio de grande porte a cada 6 dias, sem coincidência de datas, e ainda sobraria muito espaço para os mega eventos. E isso eu estou falando de São Paulo, uma megalópole. Alguns lugares tem, no máximo, 1 único clube. Nós precisamos de pelo menos 40 a 50 eventos, sendo 75% acima de 150K Gtd por ano, 20% acima de 500K Gtd e pelo menos 5% acima de 1KK. E precisamos urgentemente. Os EPTs, UKIPTs, o WSOP Circuit, os APTs e os side events estão formando uma nova geração de jogadores live de primeira categoria.

    Você ainda teve a felicidade e, claro, o merecimento e a capacidade de poder arcar com os custos dessas viagens internacionais, mas 99% dos profissionais e semi-profissionais não tem. Eles precisam crescer no mercado interno, aqui dentro mesmo. Meia dúzia de torneios a 1.200, 1.500, 2.000 dólares de custos não farão isso por eles.

    Mudança de mentalidade. Virar a chave. Achar um ponto de equilíbrio entre lucro e aprimoramento técnico são, na minha visão, as chaves para o crescimento do poker como esporte no Brasil.

    Grande abraço

  2. Boa tarde André Akkari !!! Li seu post e gostei muito do publicado. Já havia comentado esse assunto com Eduardo Sequela (MEBELISKA), mas de forma mais conservadora, ou seja, um ranking dos jogadores (da capital/SP) apenas na intenção de promovê-los junto ao mercado (empresários) em geral, baseando-se nos melhores torneios (definindo o mínimo: by in, field e premiação garantida), podendo ser publicado mensalmente no site MEBELISKA, ao qual todos já conhecem e estão acostumados a consultar, sendo que, no final do ano, poderia-se criar um evento para entrega dos troféus dos melhores do ano, apoiado lógico pela Federação (Igor Trafane), mas infelizmente não houve interesse, creio que talvez seja porque o Site Mebeliska não promova todos os eventos em questão, fazendo com o que gerasse propaganda gratuita ou pela dificuldade de obter de forma verídica as informações que seriam encaminhadas pelos clubes, etc… Tudo isso à resolver e a se pensar, mas que ajudariam os jogadores semi amadores e profissionais, não tenho dúvida nenhuma, inclusive os proprietários de times hoje abundantes em nosso mercado da capital/SP… Tenho certeza que isso geraria mais consultas ao site e receita aos interessados de ambas as partes (site, clientes, jogadores e patrocinadores), trazendo confiança e interesse pessoal nas informações… Escrevo isso de livre arbítrio à quem possa interessar, quem sabe sai do papel… Inté +

  3. valeu belo post eu tambem gostaria de ajudar colocar o brasil em primeiro lugar do mundo do poker so presiso de um patrocinio porque nao tenho cacife abraço

  4. Grande Akkari, tudo bom? Não sei se conhece mas existe uma lei (LEI DE INCENTIVO AO ESPORTE) a qual estou pesquisando para obter maior conhecimento acerca de sua abrangência. Essa lei dá a oportunidade de PESSOA FÍSICA ou JURÍDICA doem 6% ou 1% (respectivamente) de seu IR à atividades ligadas ao esporte. Ainda tenho dúvidas se atividades do esporte da mente estariam também beneficiadas e pretendo descobrir isso.
    Tenho interesse em desenvolver algo dentro desse contexto e acredito que seria uma boa dica para quem desejar trabalhar e contribuir para o crescimento do POKER no BRASIL.
    Lembro também que você tem um projeto nesse sentido, seria uma possibilidade!!!
    Existem projetos, não muito grandes, que já arrecadaram mais de 2 milhões através desse benefício.
    Forte abraço!!!

  5. Akkari, eu vejo essa realidade sob uma outra ótica. Acho que o poker brasileiro ainda engatinha no cenário mundial por duas razões:

    1. O desconhecimento da sociedade brasileira que leva ao preconceito. Eu já perdi 2 mulheres por jogar poker. Disseram que eu teria que sair porque eu estava cavando minha sepultura. Ora, todo mundo que bebe se embriaga?
    2. A falta de disciplina por parte da maioria dos brasileiros. Isso é típico, brasileiro é relaxado, tudo vai no jeitinho, na conversa fiada, nas coxas. A maioria não fala inglês e não está nem aí p isso, não faz um plano de estudos, etc.

    Por isso que a elite do poker brasileiro é pequena se comparada ao mundo. Se somarmos todos os jogadores do Brasil, não dá nem metade de um Daniel Negreanu, Phil Ivey, Johny Chan. Esses estão na elite no cenário mundial. Até a Ucrânia que vive em crise política tem mais braceletes que o Brasil. Triste realidade!

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